Em 2020, comemoram-se os 30 anos de criação das Reservas Particulares do Patrimônio Natural, as RPPNs. No Brasil todo, já são 1.665 reservas protegendo 807 mil hectares. A Funatura, com o propósito de aumentar esses números, trabalha para criar mais 50 delas até 2021 no projeto Reservas Privadas do Cerrado. Até o momento, alcançou-se 50% da meta.

As RPPNs são uma categoria de Unidade de Conservação de Uso Sustentável criadas por iniciativa dos proprietários rurais. Nelas, são permitidas atividades turísticas, pesquisas científicas e educação ambiental, após autorizadas pelo órgão ambiental competente.

O superintendente executivo da Funatura, Pedro Bruzzi Lion, destaca a importância do projeto para o Cerrado, o 2º maior bioma do país, que concentra a maior parte do agronegócio brasileiro. “De acordo com o Cadastro Nacional de Unidades de Conservação, o Cerrado tem apenas 8,21% de áreas protegidas. Com mais de 50% de área convertida e cerca 90% de sua extensão ocupada por áreas privadas, a estratégia de criação das RPPNs permite estabelecer corredores ecológicos e áreas de proteção da vegetação nativa”, diz.

Os produtores rurais não precisam parar com sua produção ou atividade. É possível conciliar, reservando apenas uma parte do imóvel para a conservação. Não há um tamanho mínimo para a criação da reserva, basta ter recursos naturais para serem protegidos em um dos nove estados do bioma Cerrado. Espécies nativas e em risco de extinção encontram proteção nesses locais e podem garantir a sobrevivência se reproduzindo.

EXPERIÊNCIAS

Já são muitos os casos de sucesso de proprietários que, além de preservarem a biodiversidade e garantirem belas paisagens cênicas para a posteridade, encontram no ecoturismo uma fonte de renda.

O produtor rural Fábio Padula criou a RPPN Bacupari, com 36,8 hectares na região de Cavalcante (Goiás).  “Depois que cria, tem que cuidar. Cuidar das cercas, das erosões, da fauna, combater incêndio, conhecer a área. Talvez a criação de uma RPPN faça com que a pessoa desenvolva esse amor em seu coração. Nunca fizemos isso por dinheiro. Fazemos porque acreditamos na Mãe Terra”, disse.

“Aqui, antes mesmo, já tratávamos a fazenda como uma reserva natural. A parte que está na margem do Rio São Bartolomeu recebe um cuidado especial. Acho que as RPPNS são a saída, pois não podemos contar com o governo para conservar o meio ambiente”, finalizou Fábio, que recebeu suporte do Instituto Cerrados, parceiro local do projeto Reservas Privadas do Cerrado, para criar a sua reserva.

O casal de proprietários da Reserva Pau Terra, em Pirenópolis (GO), Fernando Madueño e Rossana Gehlen, são pioneiros e trabalham na implementação do Mosaico de Proteção do Parque dos Pirineus, que une várias RPPNs na localidade e forma os chamados corredores ecológicos. “Estamos garantindo essa área não só pra nós e para a nossa linhagem genética, mas para a humanidade”, ressalta Rossana.

“Instalar a RPPN tem o aspecto técnico e o jurídico. Orientamos os proprietários na Serra dos Pireneus. Ter uma propriedade com uma RPPN agrega valor financeiro. É uma garantia de que as características ambientais serão preservadas”, diz Fernando.

PROJETO RESERVAS PRIVADAS DO CERRADO

O projeto é desenvolvido pela Funatura com recursos do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF, sigla em inglês para Critical Ecosystem Partnership Fund) no Cerrado, com apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IIEB).  Instituto Cerrados, Fundação Neotrópica e Cooperativa de Cafeicultores de MG (Coxupé) são algumas das instituições envolvidas no arranjo de execução do projeto.

 

PARA SABER MAIS

Reservas Privadas do Cerrado

www.reservasprivadasdocerrado.com.br

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Instagram/Facebook: @reservasdocerrado

Assita aqui o vídeo produzido pelo Instituto Cerrados com depoimentos de "rppnistas".