Desde o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, em Minas Gerais, no encontro dos Rios Preto e Santa Rita, pesquisadores da Funatura percorreram 300 km da bacia do rio Carinhanha até a altura da BR 135, na região de Montalvânia (MG), remando em botes infláveis rio abaixo. A partir da RPPN Vereda do Caraíba, no trecho médio do Rio Carinhanha, os 165 km apresentaram condições ambientais compatíveis com o pato-mergulhão. Entretanto, nenhum indivíduo foi localizado.

“O não encontro é um resultado importante, assim como a verificação da existência de ambiente compatível no rio. Duas questões imediatas ficam sem resposta. Havia o pato-mergulhão nesse rio e foi eventualmente extinto? Ou, apesar dessas condições, não chegou a existir uma população local?”, destaca o biólogo Paulo de Tarso.

Segundo o pesquisador, não há como responder a isso com os dados atuais. “Como em toda prospecção de espécie rara e ameaçada, são as perguntas que ficam na ausência de registros, mas presença aparente de ambiente”, finaliza.

RISCO DE EXTINÇÃO

Embaixador das Águas Brasileiras, ao caracterizar a boa saúde ambiental dos rios em que vive, o pato-mergulhão Mergus octosetaceus tem uma população atual de apenas 200 a 250 indivíduos. É a ave aquática mais ameaçada da América Latina.

A expedição faz parte do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação do Pato-mergulhão, que desde 2006 reúne organizações governamentais, não governamentais e institutos de pesquisa, coordenados pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres do ICMBio, para conservar a espécie. 

O pato-mergulhão não foi encontrado desta vez, mas, por outro lado, aconteceram registros importantes de outras espécies. O mais destacado foi o gavião-pato Spizaetus melanoleucus, ave de grande porte ameaçada de extinção no estado de Minas Gerais. Além dele, martim-pescador, macacos-bugio, biguás e patos-do-mato foram avistados.

Na próxima semana (terceira semana de Setembro), a equipe da Funatura, composta pelos biólogos Paulo de Tarso Zuquim Antas, Lucas Carrara e Luciene Faria, volta a campo para outra expedição, agora no Parque Nacional Nascentes do Rio Parnaíba, no sul do Piauí e Maranhão. Dessa vez, será também acompanhada pelo grupo de trabalho que está sendo montado na Universidade Estadual do Maranhão, Campus de Caxias.

Confira aqui o vídeo realizado pelo biólogo Lucas Carrara sobre a expedição.