Embaixador das Águas Brasileiras, ao caracterizar a boa saúde ambiental dos rios em que vive, o pato-mergulhão Mergus octosetaceus tem uma população atual de apenas 200 a 250 indivíduos. É a ave aquática mais ameaçada da América Latina.

A fim de conservar e aumentar essa população, organizações governamentais, não governamentais e institutos de pesquisa, coordenados pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres do ICMBio, reúnem esforços desde 2006 no âmbito do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação do Pato-mergulhão. No dia 29 de junho, o Instituto lançou o Sumário Executivo do 2o Ciclo de Gestão do PAN. Acesse aqui

Em 2017, o PAN foi revisado e verificou-se a necessidade de refazer o censo populacional da espécie nos locais sem informações atualizadas, prospectar potenciais áreas para a sua presença e indicar novos locais para uma futura reintrodução da espécie na natureza, a partir do sucesso reprodutivo da população mantida em cativeiro. Os animais reproduzidos em cativeiro estão atualmente no Zooparque Itatiba e representam uma ferramenta adicional para evitar a extinção.

A Funatura, representando as entidades participantes do PAN Pato-mergulhão, recebeu apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza em 2018 com o objetivo de materializar as ações planejadas, aliando pesquisa e conhecimento científico às boas práticas de conservação.

Com seu corpo técnico, a Funatura é parceira informal do projeto Evitando a Extinção do Pato-Mergulhão no Corredor Veadeiros Pouso Alto- Kalunga, desenvolvido pelo Instituto Amada Terra e financiado pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) do Cerrado, com apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasil, Conservação Internacional e Fundação MAIS Cerrado.

Na Chapada dos Veadeiros (GO), o Instituto Amada Terra encontrou um ninho ativo e estabilidade populacional no Rio Tocantinzinho, considerando os dados do trabalho realizado pela Funatura em 2009 na mesma área. O Instituto também desenvolveu ações de conscientização local sobre a espécie e lançou um Manual de Boas Práticas de conservação e de visitação de locais em que o pato-mergulhão vive.

CENSO POPULACIONAL

A equipe da Funatura desenvolveu, em 2019, o censo da população do Rio Novo (TO), desde a Estação Ecológica da Serra Geral até a cachoeira da Velha, famoso ponto turístico do Parque Estadual do Jalapão, em conjunto com o Naturatins, órgão estadual ambiental do Tocantins e a Universidade Estadual do Maranhão, Campus Caxias.

Os resultados mostraram incremento populacional nos últimos 10 anos, “uma excelente notícia” segundo o biólogo da Funatura Paulo de Tarso Zuquim Antas. “Dois novos ninhos foram encontrados, incluindo a Estação Ecológica da Serra Geral em 2020 como mais uma área de reprodução. Até então havia quatro casais reprodutivos conhecidos”, contou Paulo.

Atualmente, essa é a maior parcela da população mundial em unidades de conservação de proteção integral. O Programa verificou o sucesso da regulamentação do rafting pelo Naturatins, evitando essa atividade na temporada reprodutiva e de muda, entre agosto e setembro, na seção do Rio Novo até a Cachoeira da Velha.

Deslocados pelos barcos no rio, os patos-mergulhões afastam-se significativamente dos ninhos ou de suas ninhadas, além dos locais principais de alimentação. “Essa é uma medida importante, de impacto positivo. Seria necessário para a conservação da espécie englobar o mês de julho para proteger todo o período de nidificação nessa parte do rio”, afirmou o biólogo Paulo de Tarso.

Já no Alto Rio Araguari (MG), o Instituto Terra Brasilis mostrou uma estabilidade no número de indivíduos em relação à década anterior, mas apontou para os riscos representados por retirada de areia para construção, que turva a água e gera assoreamento; uso de redes de pesca, que podem potencialmente afogar patos enredados; e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) planejadas para essa bacia.

No estado da Bahia, a prospecção feita pela equipe da Funatura no Santuário de Vida Silvestre Veredas do Oeste Baiano e na bacia do Rio Formoso, onde o pato-mergulhão havia sido visto na década de 1990, não obteve resultados positivos. Outros rios da região serão prospectados dentro do Programa PAN Pato-mergulhão.

Para 2020, estão planejadas novas prospecções na região do Jalapão, no extremo sul dos estados do Maranhão e Piauí, no oeste da Bahia, em Goiás e Minas Gerais, conforme os limites impostos pela pandemia do Covid-19 permitirem.

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